sexta-feira, outubro 28, 2005

Eu não diria melhor!

Excerto indecentemente roubado no excelente blog Núcleo Mole (http://nucleomole.blogs.sapo.pt)... Vem de encontro a muitas das minhas próprias convicções - nas quais que se baseia a minha decisão de não inundar o meu "rebento" com horários de agenda de executivo, tipo ballet, ginástica, natação, informática, música, psicólogo, terapeuta disto e daquilo, etc, etc, etc.

Crianças têm de ter espaço para serem crianças, espaço e tempo para deixarem a imaginação voar e perder-se numa qualquer brincadeira inventada com o que têm mais à mão no momento. Defendo uma dinâmica parental vigilante, sim, atenta, mas não organizadora até ao pormenor, castradora da metade das 24 horas do dia dos mais pequenos com o falso pretexto de melhor os preparar para a futura vida adulta. Preparação? Concerteza. Mas sem stress desnecessário e com os devidos limites ditados pelo bom senso dos que também já passaram pela infância e têm obrigação de ainda recordar aqueles momentos deliciosos de liberdade em que só se brincava... despreocupadamente.

Eis o texto:

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as quecas de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!" João Pereira Coutinho, jornalista

Maria, 28/10/2005





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