segunda-feira, outubro 10, 2005

Vai onde te leva o Coração



Vai onde te leva o Coração”.

Por qualquer razão que a razão deve desconhecer, hoje lembrei-me deste livro, lido há muitos anos. Não por causa da história em si, mas pelo título. Ir onde o coração nos leva.

Eu fui. Segui o meu coração com a confiança cega dos desesperados, sedentos de um toque humano que seja mais do que um roçar feito de acasos. E fui. O coração levou-me a sítios que nunca sonhei existirem, à delícia de um beijo, ao arrepio de uma carícia, à exaustão do corpo depois da loucura do êxtase. Levou-me ao abismo da dor e da impotência perante o sofrimento do ser amado, à abnegação de recusar o próprio corpo em favor do corpo e alma do outro.

E levou-me à queda vertiginosa quando ainda nem tinha aberto plenamente em flor, quando ainda era tão só um botão de qualquer coisa ainda por revelar. De coração se fez abismo negro, de canções entoadas em tons perfeitos se fez gemidos e lamentos, e de coração fremente se fez... nada.

Eu fui, sim. Fui por onde o meu coração me levou. Agora.. não sei voltar. Quero encontrar o caminho de volta àquilo que eu era, e perdi o rumo. Naufrago nas brumas densas das minhas memórias e tento estancar o que deste meu coração escorre, fel amargo que resta da ambrósia que antes jorrava.

O meu coração levou-me ao meu deserto infernal e gelado. Fui com ele, porque quis. Agora, fico com ele, porque nada mais posso fazer. E as batidas do meu coração são a derradeira pulsação de um caminho por onde fui... E de onde nunca mais regressarei.

5 Comments:

At 12:03 da tarde, Anonymous Shortbow said...

vou-me arriscar a dizer uma data de asneiras... e mal interpretar o que disseste...
á mts anos atrás fechei o meu coração, fechei-me todo numa redoma inacessivel a todos... não sentia tristeza, nem desgostos, mas tambem não sentia alegria e felicidade... era uma existencia cinzenta e sem cor.
um dia acordei, e resolvi tentar abrir o coração, e tudo o resto ao mundo...
já ri, já fui mt feliz, já chorei, já senti de tudo um pouco... neste momento estou só, mas tenho a esperança de voltar a estar acompanhado e feliz, porque para mim para ser verdadeiramente feliz tenho de ter alguem ao meu lado... aprendi isso.. e aprendi que só consigo isso seguindo o coração... lançando-o livre para o meio das feras, na esperança de encontrar um cantinho aonde se encaixe...
tenho a esperança... e como se diz, a esperança não tira a dor... mas na dor é a lembrança que está não é para sempre...
um abraço grande

 
At 2:42 da tarde, Blogger papagaio said...

retirei este paragrafo do teu texto que me identifico muito:

""E levou-me à queda vertiginosa quando ainda nem tinha aberto plenamente em flor, quando ainda era tão só um botão de qualquer coisa ainda por revelar. De coração se fez abismo negro, de canções entoadas em tons perfeitos se fez gemidos e lamentos, e de coração fremente se fez... nada.""
é tao verdadeiro que ate me faz lembrar de quem mo partiu
beijos grandess

 
At 4:23 da tarde, Blogger Inha said...

Eu ainda continuo à procura. Sem pressas... mas à procura. A única coisa receio é a de poder transformar-me num ser egoísta e sombrio. Porque chegamos a estádios da vida em que cada vez somos mais medrosos, mas mais exigentes. Beijinhos

 
At 2:12 da manhã, Blogger Lady Cartier said...

Tão real que até me arrepiei.

beijos

 
At 7:27 da manhã, Blogger Maria vai c'as ostras said...

A todos, obrigada pelos comentários e pela visita - É bem verdade que o luto mais difícil de ultrapassar é o luto pelos que estão vivos e desapareceram das nossas vidas. Dizem que o tempo ajuda... A ver vamos.

 

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