quarta-feira, novembro 30, 2005

Acabou-se...




A minha árvore do Natal está velha. Velha e careca, e cada vez que lhe tocam deixa cair mais umas quantas "agulhas" de pinheiro sintético, lágrimas de verde que a Maria se apressa a varrer, não vá a decrepitude da velhinha originar perguntas indiscretas vindas da mais pitorra mais pequena.

Hoje varri mais umas quantas... e sorri, pensando como a justiça das coisas pode ser poética e atempada - a das coisas, não a dos Homems, porque essa raramente é uma ou outra... Adiante...

Este pinheiro do Natal foi comprado por insistência do C, quando ainda não havia qualquer compromisso mais sério entre nós e ainda se davam os primeiros passos no que viria, mais tarde, a concretizar-se num casamento. A insistência dele tinha uma razão de ser: a solidão pesava-me tanto, naquela altura, as perdas tinham sido tão recentes e as feridas ainda tão abertas que a última coisa que eu queria era pensar em Natais, pinheiros do Natal ou fosse o que fosse que soasse vagamente verde e vermelho.

A minha primeira reacção foi recusar comprar a tal da árvore... Mas, um belo dia, quando cheguei ao supermercado lá do bairro, uma das "meninas" veio ter comigo e disse-me "Tenho ali uma encomenda para si, já está paga mas o senhor disse que era a senhora que vinha buscar".

Pasmei. Esperava por mim a maior árvore de Natal disponível, mais alta do que eu, acompanhada de um saco de respeitável tamanho, de onde espreitavam farrapos de dourado e prateado... Os enfeites respectivos.

E tive árvore de Natal, nesse ano. E enfeites. E prendas. E, no fundo, um Natal renascido das cinzas de outros Natais que se foram apagando da memória mais recente, para se esconderem naquela parte do coração onde cabe tudo o que já foi.

O primeiro Natal da minha filha foi ao pé desta árvore. O último do meu sogro também. E o último da nós três, ainda como família. Depois... viu o primeiro Natal só de nós duas, viu as minhas lágrimas de dor, ouviu comigo o silêncio na noite de Natal e aconchegou a dor da minha surdêz e da minha solidão.

Hoje, que se fechou mais um ciclo da minha vida, faz sentido que a minha árvore de Natal queira também acabar. Faz sentido ver tanta lágrima verde e morta no chão, onde as minhas lágrimas brancas e quentes já não caem. Um ciclo acabou. Outro começou.

Para o ano que vem compro outra árvore. E, desta vez, sou eu que a escolho e pago. Minha. Sem surpresas.

No more white tears. No more Pain. I'm alive.

Maria, 30/11/2005

terça-feira, novembro 29, 2005

Porque existe e dói - II

SERVIÇOS DE APOIO À VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

AMCV - Associação de Mulheres Contra a Violência
Telef. 21 3802165
Dias úteis, das 10.00 às 18.00

APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima
Telef. 707 200 077
Dias úteis, das 10.00 às 13.00 e das 14.00 às 17.30

Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres
Telef. 21 7983000
Dias úteis, das 09.99 ás 18.00

SOS - Voz Amiga (Angústia, solidão e prevenção do suicídio)
Telef. 800 202 669 / 21 3544545 / 22 8323535 / 239 721010
Das 21.00 às 24.00

SOS - Número Nacional de Socorro
112
24 horas por dia


ALGUMAS ESTATÍSTICAS ALARMANTES

- 43% dos casos de violência contra as mulheres ocorrem dentro do espaço doméstico;
- 89% dos casos de violência doméstica são perpetrados pelo conjuge ou companheiro da vítima;
- 75.5% das vítimas de violência doméstica suportam-na, de forma continuada, há mais de dois anos;
- 95% das vezes, os filhos assistem aos actos de violência;
- 60 mulheres são mortas, todos os anos, pelos companheiros, só no nosso país.


SAIBA RECONHECER OS SINAIS DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

A vítima, típicamente, apresenta:

- Ansiedade
- Depressão
- Faltade aoto-confiança
- Ataques de pânico frequentes
- Isola-se de amigos e familiares (por vergonha ou imposição do agressor)
- Problemas de sono e alimentação
- Tem nódoas negras frequentemente, justificando-se muitas vezes com frases do género "bati com a cabeça no armário", "caí das escadas", "tropecei no tapete", "sou muito distraída"...


COMO PODE AJUDAR

- Aconselhar a vítima a contactar os serviços de apoio disponíveis;
- Fazer a denúncia à PSP, GNR, Ministério Público ou Instituto de Medicina Legal (a violência doméstica é um crime público, o que significa que não tem de ser a própria vítima a apresentar queixa da situação, podendo esta ser apresentada por terceiros que dela tenham conhecimento).

(via Amnistia Internacional - Secção Portuguesa, Núcleo Defesa dos Direitos da Mulher. www.amnistia-internacional.pt )

Maria, 29/11/2005

Porque existe e dói



(clique para aumentar)


Este folheto pode salvar uma vida (quiçá a sua?). Encarar de frente que a violência doméstica existe, que é real e que nem sempre é perpetrada entre marido e mulher (a definição de doméstica pode abranger filhos, enteados...), saber o que fazer e quem contactar pode ser vital quando menos se espera.

Por favor, imprimam-me e divulguem-me. Um dia, uma mulher ou um homem vai agradecer... mesmo que nunca lhe saibam o nome.

Maria, 29/11/2005

segunda-feira, novembro 28, 2005

Bela Adormecida


Foste brisa, mar, areia em repouso,
Concha pequenina rolada em silêncio...
Foste o barulho da onda, silencioso,
Foste tudo para mim, foste imenso...

E surgiste. Qual titã despertado, enfim,
Do sono maldito dos milénios,
Só para me veres inteira, assim,
Sem véus, sem máscara. Sem mistérios.

E vieste. Se mais cedo fosse, nada seria,
Só o tempo certo decidiu o tempo
Que a bela para sempre dormiria...

E foi só um beijo, uma só carícia,
Um toque leve do roçar de um anjo...
E da noite escura se fez claro o dia.

Maria, Novembro 1996

sexta-feira, novembro 25, 2005

Descubra as diferenças


"Manuel Alegre revelou que foi convidado por José Sócrates para ser o candidato apoiado pelo PS à Presidência da República. Em entrevista à Rádio Renascença, o histórico socialista disse que foi ultrapassado por Soares que, pelo facto de ter sido fundador do partido, se tornou um problema para o secretário-geral." (SIC Online, 21-11-2005)


"O ex-Presidente da República Mário Soares afirma que decidiu recandidatar-se ao cargo, porque o secretário-geral do PS o convidou. José Sócrates ter-lhe-á dito que era o candidato certo e que não apoiava Manuel Alegre." (SIC Online, 24-11-2005)

Agora é só ir medindo os respectivos narizes dos dois candidatos, para ver qual cresce mais e mais depressa... Pinóquio, volta, estás perdoado!!!

quinta-feira, novembro 24, 2005

Ainda os bivalves


Roubado indecentemente do blog "Deu-me para isto..." ( http://dojaya.blogs.sapo.pt/ ) vem esta maravilha:

" Ódio e Paixão:

Ao anfitrião interessado em brilhar ao servir ostras para seus convidados, vai um conselho: certifique-se de que são verdadeiros apreciadores do prato, já que em relação às ostras não costuma haver meio termo, é aversão total ou paixão incondicional. Os apaixonados garantem que tem motivos de sobra para tal fixação. "

Pois é... Aversão total ou paixão incondicional. Mais uma razão para a escolha da Ostra como cara deste blog. Afinal, a Maria é como os bivalves ostrícolas: Amem-na ou deixem-na (de preferência, aturem-na nos entretantos... Adiante...).

Jiiiiinhos... e bom fim de semana.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Então, em que ficamos?

Na TSF de hoje, pode ler-se:

Homossexuais, homens com tendências homossexuais e aqueles que apoiem esta cultura devem ser excluídos do sacerdócio da Igreja Católica, indica um documento do Vaticano que se aplica apenas aqueles que se preparam para entrar nos seminários

O documento denominado «Instrução acerca do critério para o discernimento de Vocações concernente às pessoas com tendências homossexuais em vista da sua admissão para o seminário e Ordens Sagradas», de apenas 21 parágrafos, reforça que o entendimento do Vaticano de que as tendências homossexuais são «desordens» e que os actos homossexuais são graves pecados.«À luz deste ensino, é considerado necessário dizer claramente que a Igreja, que respeita profundamente as pessoas em questão, não pode admitir no seminário ou nas Ordens Sagradas aqueles que pratiquem a homossexualidade, apresentem tendências homossexuais profundamente enraizadas ou apoiem a chamada cultura gay», acrescenta este relatório.

Esta «instrução» emitida pela Congregação do Vaticano para a Educação Católica faz ainda questão de diferenciar aqueles que têm tendências homossexuais «profundamente enraizadas» e aqueles que têm a «expressão de um problema transitório».O documento indica ainda que quem pretende ser ordenado diácono, passo anterior em cerca de um ano à ordenação como sacerdote, «tem claramente de ultrapassar estas tendências pelo menos três anos antes» de chegar a este estágio.

«Para se admitir um candidato à ordenação para diácono, a Igreja tem de verificar, entre outras coisas, se o candidato chegou a uma maturidade afectiva», acrescenta o relatório.

Neste documento é ainda dito que se o «candidato for homossexual ou tiver tendências homossexuais profundamente enraizadas o seu director espiritual tal como o seu confessor têm o dever de o dissuadir em consciência do procedimento rumo à ordenação».

As minhas conclusões sobre o acima exposto:

1- Pelos vistos, no Vaticano ainda não se lembraram das lésbicas (ou então, e tão sómente o seguimento da tradição milenar de ignorar que as mulheres existem e - pasme-se! - também têm sexo). Portanto, senhoras que querem iniciar uma vida religiosa institucional: DESPACHEM-SE!!! Desta vez ainda ninguém se lembrou de as rotular... Não tarda...

2- Se os padres e demais membros do clero masculino são supostos viverem uma vida de castidade e abstinência sexual, então... para quê tanta preocupação? Têm vida sexual ou não têm?? E, se não têm (como é suposto não terem), então a questão da heterosexualidade ou da homosexualidade nem sequer existe. Vejam se se entendem, senhores - ou eles têm sexo, ou não têm... Assim é que não!

3- Há muitos anos, era vedado o acesso ao sacerdócio a todos os que apresentassem defeitos físicos, na presunção de que o sacerdote se deveria apresentar como uma imagem aproximada do Cristo. Parece que regressaram as tendências de identificação imagética, num retrocesso a turbo que se prevê, no mínimo, desfazado da realidade actual. Mas, pensando bem... Temos como Papa o antigo responsável máximo da moderna Inquisição da Igreja Católica , portanto... Tá certo... Confere!

4- Já o disse num post anterior, e repito: O último a sair da capelinha faça o favor de apagar as luzes e trancar a porta, que as moscas agradecem... Parece que só lá vão ficar mesmo esses insectos voadores...

Maria, 23/11/2005

quinta-feira, novembro 17, 2005

By Special Request


A pedido do Papagaio (
http://papagaiodejanela.blogspot.com/ ), cá vai... Mãe Natal e Tia Natal!

O Natal está à porta...

... e a Maria já começou as decorações natalícias. Até já puz o menino no presépio...

quarta-feira, novembro 16, 2005

Sinal dos Tempos

sábado, novembro 12, 2005

Da Riqueza e da Pobreza



Bem pode o nosso Engenheiro pensar em choques tecnológicos, porque não adianta mesmo nada. Agora, um bom choque de mentalidades, até que não era má idéia, de forma a mudar a perspectiva portuguesa (universal?) sobre ricos e pobres...

Rico com uniforme: Coronel. Pobre com uniforme: Porteiro.
Rico com arma: Praticante de tiro. Pobre com arma: Assaltante.
Rico com pasta: Executivo. Pobre com pasta: Paquete.
Rico com motorista: Milionário. Pobre com motorista: Preso.

Rico de sandálias: Turista. Pobre de sandálias: Mendigo.
Rico que come muito: bom garfo. Pobre que come muito: Alarve.
Rico na mesa de bilhar: Elegante. Pobre na mesa de bilhar: Viciado em jogo.
Rico a ler o jornal: Intelectual. Pobre a ler o jornal: Desempregado.

Rico a coçar-se: Alérgico. Pobre a coçar-se: Sarnento.
Rico a correr: Desportista. Pobre a correr: Ladrão.
Rico vestido de branco: Doutor. Pobre vestido de branco: Caixeiro da Drogaria.
Rico a pescar: Lazer. Pobre a pescar: Esfomeado.

Rico a subir o monte: Rapel. Pobre a subir o monte: A voltar para casa.
Rico num restaurante: Cliente. Pobre num restaurante: Criado.
Rico bem vestido: Executivo. Pobre bem vestido: Corrupto.
Rico barrigudo: Bem sucedido. Pobre barrigudo: Cirrose.

Rico a coçar a cabeça: A pensar. Pobre a coçar a cabeça: Piolhoso.
Rico parado na rua: Peão. Pobre parado na rua: Suspeito.
Rico de fato: Empresário. Pobre de fato: Defunto.
Rico a conduzir: Proprietário do carro. Pobre a conduzir: Motorista.

Rico na loja: "Eu compro". Pobre na loja: "Estou só a ver."
Rico a chorar: Sensível. Pobre a chorar: Piegas.
Rico traído: Adultério. Pobre traído: Corno.
Rico com dor de barriga: Desarranjo Intestinal. Pobre com dor de barriga: Caganeira

Tenho ou não tenho razão?

As Ostras


Texto (e imagem) roubados indecentemente do blog "Deu-me para Isto..." ( http://dojaya.blogs.sapo.pt/ ): Eu sabia que as ostras eram especiais, mas TÃO especiais...

A Ostra...

Admitimos: relacionar a anatomia das ostras com a nossa, a do "homo sapiens", é um pouco exagerado. Mas há evidências de que, num passado infinitamente longínquo, fomos aparentados com este crustáceo trepador de rochas. Isto até a um momento crítico da cadeia evolutiva original em que elas se afastaram para se converterem em pequenos corpos de carne dentro de uma concha, enquanto nós flectíamos os nossos polegares e seduzíamos as mulheres batendo-lhes com ossos de bisonte.

Pergunta de algibeira: Sabia que as ostras começam a sua vida como machos, mudam para fêmeas e, ocasionalmente, voltam a ser machos, fenómeno conhecido como "hermafroditismo protandria"? Moral da história: uma ostra adapta-se continuamente àquilo que a mãe natureza lhe oferece, cresce e sobrevive.

Fantástica a forma como a nossa mente funciona... Tinha de haver uma razão qualquer para a Maria gostar de ostras!

quinta-feira, novembro 10, 2005

DEATH TO OGRES!



ÚLTIMA HORA:

O (inserir palavrão aqui) do (inserir asneirada aqui) do meu ex marido, mais conhecido por OGRE, desligou-me a linha telefónica fixa sem aviso, a uma SEXTA FEIRA! Assim, por causa daquele (inserir chorrilho de ordinarices aqui) fiquei sem telefone e sem Net durante uma semana inteirinha. AH-AH! Mas agora a linha é minha, mesmo minha, a conta da Net também, todas minhas, só minhas e MAI NADA! My precioussssss...

Isto tudo para dizer que estou de volta... Agora aturem-me!

Ah... Já me esquecia... DEATH TO OGRES!!!!!!

sexta-feira, novembro 04, 2005

Ginger and Silk Bonds


Ainda tinha bem frescas na memória e no corpo todas as sensações frias-quentes daquela tarde em que decidimos experimentar para lá do trivial. Primeiro, risos perante a perspectiva de cobrir toda a vulva com pasta dos dentes de mentol, depois... Depois, as contorções, o prazer delicioso, misto de tortura face à tua recusa de parar, de ficar por ali... Inesquecível.

Depois...

Olhei para os lenços de seda nas tuas mãos, meus lenços de seda. Tinhas chegado a casa com um saco de compras, e recusaste mostrar o que tinha, no teu olhar um brilho diferente que me arrepiou e me fez encostar a ti mais ainda, enquanto me beijavas e sussuravas:

- Depois vês... É para ti.

Nua, corpo sobre o lençol frio, observo o teu corpo rijo, o teu cheiro sensual chega até mim. Disseste:

- Confia em mim.

Confiei, mesmo quando me pediste as mãos e as amarraste aos ferros da cama, com os meus lenços de seda. Mesmo quando me mandaste abrir as pernas, mais e mais, e prendeste os meus pés, tornando impossível qualquer sombra de modéstia.

A tua língua subiu por mim, banhou-me... Enquanto me contorcia em gemidos de prazer, senti-te crescer e endurecer.

- Vem, quero-te, entra em mim - disse-te.

- Ainda não - disseste tu.

O saco... O tal saco. Dentro estava uma raiz de gengibre, fresca, e uma faca pequena, afiada. Vi-te descascar uma parte da raiz, e lentamente cortares finas lâminas que pingavam sobre o lençol.
Esperei.

- Não digas nada. Fecha os olhos.

Frio. Sensação de frio na vulva, enquanto a cobrias com o gengibre recém cortado.

- Mas... - disse eu...

- Ssshhh... Sente. Confia.

E enquanto o calor e o ardor se instalavam, pouco a pouco... Ardor crescente, calor abrasador, a vulva em fogo, lágrimas de fogo a pingarem dela, puxei aqueles lenços de seda até ficarem marcas nos meus pulsos e tornozelos. Pedi, implorei que me libertasses... O teu silêncio e o teu olhar de volúpia e desejo foram tudo o que recebi. Gritei o teu nome vezes sem conta, em contorções de cio cada vez maiores, mais e mais...

Por fim, o alívio... O ardor que já não era fogo líquido, mas somente ardor... Desejo...

Possuíste-me assim, bruto, forte, como sabias que eu te queria. E os meus gritos, agora de prazer, juntaram-se aos teus gemidos e ao teu urro final, quando me inundaste de ti. Nunca te tinha sentido tanto, tão fundo, tão meu.

No fim, guardamos os lenços de seda. Até à próxima vez.
Maria, 04/11/2005





my pet!


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