sexta-feira, novembro 04, 2005

Ginger and Silk Bonds


Ainda tinha bem frescas na memória e no corpo todas as sensações frias-quentes daquela tarde em que decidimos experimentar para lá do trivial. Primeiro, risos perante a perspectiva de cobrir toda a vulva com pasta dos dentes de mentol, depois... Depois, as contorções, o prazer delicioso, misto de tortura face à tua recusa de parar, de ficar por ali... Inesquecível.

Depois...

Olhei para os lenços de seda nas tuas mãos, meus lenços de seda. Tinhas chegado a casa com um saco de compras, e recusaste mostrar o que tinha, no teu olhar um brilho diferente que me arrepiou e me fez encostar a ti mais ainda, enquanto me beijavas e sussuravas:

- Depois vês... É para ti.

Nua, corpo sobre o lençol frio, observo o teu corpo rijo, o teu cheiro sensual chega até mim. Disseste:

- Confia em mim.

Confiei, mesmo quando me pediste as mãos e as amarraste aos ferros da cama, com os meus lenços de seda. Mesmo quando me mandaste abrir as pernas, mais e mais, e prendeste os meus pés, tornando impossível qualquer sombra de modéstia.

A tua língua subiu por mim, banhou-me... Enquanto me contorcia em gemidos de prazer, senti-te crescer e endurecer.

- Vem, quero-te, entra em mim - disse-te.

- Ainda não - disseste tu.

O saco... O tal saco. Dentro estava uma raiz de gengibre, fresca, e uma faca pequena, afiada. Vi-te descascar uma parte da raiz, e lentamente cortares finas lâminas que pingavam sobre o lençol.
Esperei.

- Não digas nada. Fecha os olhos.

Frio. Sensação de frio na vulva, enquanto a cobrias com o gengibre recém cortado.

- Mas... - disse eu...

- Ssshhh... Sente. Confia.

E enquanto o calor e o ardor se instalavam, pouco a pouco... Ardor crescente, calor abrasador, a vulva em fogo, lágrimas de fogo a pingarem dela, puxei aqueles lenços de seda até ficarem marcas nos meus pulsos e tornozelos. Pedi, implorei que me libertasses... O teu silêncio e o teu olhar de volúpia e desejo foram tudo o que recebi. Gritei o teu nome vezes sem conta, em contorções de cio cada vez maiores, mais e mais...

Por fim, o alívio... O ardor que já não era fogo líquido, mas somente ardor... Desejo...

Possuíste-me assim, bruto, forte, como sabias que eu te queria. E os meus gritos, agora de prazer, juntaram-se aos teus gemidos e ao teu urro final, quando me inundaste de ti. Nunca te tinha sentido tanto, tão fundo, tão meu.

No fim, guardamos os lenços de seda. Até à próxima vez.
Maria, 04/11/2005

8 Comments:

At 3:35 da manhã, Blogger MINETE REAL said...

Sublime descrição. Sao estas fugas ao trivial, que quebram a rotina que por vezes se instala numa relaçao. PArabéns
Um bom fim de semana
Beijos humidos

 
At 11:48 da manhã, Blogger papagaio said...

eheheh ai estvas era a preparar isto?eheh ate ficava meia duzia de dias sem aprecer
lindo texto
beijocas e bom fim de semana

 
At 12:04 da tarde, Anonymous LolaViola said...

.....uffff.... Vou ali ao supermerdado e já volto.
PS.. muito bonito. incendias a blogosfera, rapariga
***

 
At 8:24 da tarde, Anonymous charlie said...

Vou olhar para a escova de dentes com outros olhares ;)

 
At 5:22 da tarde, Blogger robina said...

Um blog bem giro. Gostei ;-)

 
At 3:35 da tarde, Blogger Maria vai c'as ostras said...

Obrigada a todos... Nem tudo são más memórias, algumas vale a pena reter - e recordar as boas faz parte do fim do processo de luto pelos vivos. Voltem sempre... Qualquer dia conto mais ;)

 
At 3:42 da tarde, Blogger Gotinha said...

Vou colocar esta foto no CUBEMBOM...

 
At 2:52 da tarde, Blogger Inha said...

Lindo texto, Maria!
A que horas me lembrei de vir a este blog...

 

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