quarta-feira, março 15, 2006

Emptiness


A casa. Vazia. Não mais um lar, mas quatro paredes sem alma, frias, brancas. Vazias.

O quarto. Impecável, sempre arrumado e limpo, nada fora do lugar, numa imutabilidade perpétua. A cama sempre feita (dormir naquela cama é recordar, reviver, sofrer). Tão sómente as fotografias, em molduras antes cuidadosamente escolhidas e cuidadas, espreitam por entre uma camada fina de pó, como se tentassem esconder o que revelaram, ocultando memórias atrás de um véu cinzento. Reposteiros fechados. Aqui, não se quer a luz, mas a obscuridade que permita velar o que foi.

Calou-se o relógio de sala. Calou-se a música. Calou-se a alma, o corpo, emudeceram os sentidos.

Nesta casa, uma vida acabou, e outra está presente, viva, fremente, esperança que não permite a desistência, ainda. Duas vidas. Eram três.

Luto pelos vivos. Memórias. Um coração que sangra, que dói.

E todos os dias, uma voz que chama de volta à vida, que mantêm fortes as amarras daquele barco à deriva, sem rumo, sem timoneiro.

A vida continua.

(Este blog vai para férias, durante uns tempos. Mas eu volto... Só não sei quando. Até lá. um beijo da Maria)





my pet!


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