28 de Maio

Sinto-te a falta a cada momento como se sente a dor fantasma de um membro amputado contra vontade. Dói-me a ausência tal como dói às viúvas na praia, para sempre expectantes que o mar lhes devolva a vida que lhes levou. Ouço o canto das sereias que me puxam, sempre para baixo, num encantamento que me diz “Vem... Vem...”, sem nunca dizer até onde.
Vezes, tantas vezes, a dor é tão grande, tão gritante, que não se cala e só se contém através do protagonismo em solidão, num embebedar dos sentidos urgentemente constante, pulsante. Tenho presentes na memória todos os momentos, todas as horas, dias, meses, anos. Não consigo tocar, ainda, no que de ti me lembra, e guardo a palpabilidade das minhas memórias bem fundo, ainda não mas quase em sepultura aberta.
Ama-se uma só vez na vida. Depois, nunca mais, e é como se um qualquer fenómeno cósmico nos roubasse o ar, o alento, a luz, a vida, tudo. Sente-se o sufocar constante da ignorância, o “porquê?” que não se cala, os “ses” que martelam.
E nunca acaba, esta dor. Nunca.
E o mar que não te devolve, que me leva a alma, o ar, o riso, a vontade.
Viúva de vivo.




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5 Comments:
Dá tempo ao tempo.
A vida espera por ti...
Um beijo terno,
Obrigada, Matahary - está difícil, mas vai indo, devagar. Um beijo, e obrigada pela visita
voltaste! um beijo grand
Lindo!
Vai para aí uma depressão do arco da velha...
dasss!!
Pérola, obrigado - vou voltando, devagarinho...
Coelho Bravo, a depressão já veio, e já foi... Ficou o sentimento, que só se cura com a "pírula" do tempo.
Jinhos aos dois, e voltem sempre.
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