No País das Fadas
Jornal de Notícias de hoje:
"CAVACO SILVA TERMINA JORNADAS EM DEFESA DA FAMÍLIA TRADICIONAL
(...) Disse que as famílias monoparentais são um risco duplicado de pobreza para as crianças, de 14% para 30%. Que, "para além da felicidade do homem e da mulher, há o filho, a filha (...)".
Diário de Notícias de hoje:
"CAVACO APELA A CUIDADOS NO DIVÓRCIO
(...) No balanço que fez a estes dois dias, passados nos distritos do Porto e de Aveiro, dedicados às crianças em risco e às mulheres maltratadas, o PR fez ainda um pedido para que a violência doméstica seja denunciada. "Apelo a que não se silencie, como aconteceu no passado, estas situações de agressão doméstica (...)". "(...)E a denúncia cabe a todos: "Não olhem para o Estado, esperando que ele faça tudo", afirmou o Chefe de Estado. Até porque "as instituições desenvolvem geralmente um trabalho mais humano, mais próximo, mais eficiente nas respostas que dão aos problemas da sociedade(...)".
Permitam-me bloguistas e leitores, uma tradução livre:
"... as famílias monoparentais são um risco acrescido de pobreza para as crianças..." - O meu processo de divórcio entrou no Tribunal de Família e Menores em 2003. Fiquei divorciada em 2006, após uma primeira decisão que não encountrou motivos suficientes para um divórcio e um apelo ao Tribunal da Relação, que os encontrou, miraculosamente, onde a primeira juíza não os viu. A minha filha, de 6 anos, tem pensão de alimentos (do pai) desde há 3 meses. Eu não trabalho (para quem não sabe, sou práticamente surda, o que é incompatível com a profissão que exercia), e estou à espera que a minha pensão de alimentos seja decidida, pelo mesmo Tribunal de Família e Menores, HÁ TRÊS ANOS.
"(...) um pedido para que a violência doméstica seja denunciada. "Apelo a que não se silencie, como aconteceu no passado, estas situações de agressão doméstica (...) - Fui agredida, na minha casa, tendo de ser transportada de ambulância para o hospital, para tratamento, onde regressei no dia seguinte para tratar um dedo partido não detectado na véspera. A minha filha (com três anos) assistiu à agressão. Ficou ao cuidado de estranhos, enquanto eu recebia tratamento. Apresentei queixa no DIAP, indiquei as testemunhas e os nomes dos agressores.
O principal agressor ainda não prestou depoimento porque, apesar de se deslocar todos os dias à mesma cidade onde o deve fazer, tem residência a... cerca de 1o quilómetros. Razão invocada: não se pode deslocar.
A principal testemunha reside, há anos, a 2 metros da minha casa. Vejo-a todos os dias - mas o DIAP não a consegue encontrar.
O processo já vai em mais de dois anos. O resultado que prevejo? A prescrição...
Por tudo isto, e comtodo o respeito, senhor Presidente da República (sim, da MINHA República): Faça o favor de esclarecer a que País se referia, nestas entrevistas. Ao meu País não era, concerteza. Talvez ao País das Fadas onde tudo é perfeito e a Justiça realmente funciona? Quem sabe...
"CAVACO SILVA TERMINA JORNADAS EM DEFESA DA FAMÍLIA TRADICIONAL
(...) Disse que as famílias monoparentais são um risco duplicado de pobreza para as crianças, de 14% para 30%. Que, "para além da felicidade do homem e da mulher, há o filho, a filha (...)".
Diário de Notícias de hoje:
"CAVACO APELA A CUIDADOS NO DIVÓRCIO
(...) No balanço que fez a estes dois dias, passados nos distritos do Porto e de Aveiro, dedicados às crianças em risco e às mulheres maltratadas, o PR fez ainda um pedido para que a violência doméstica seja denunciada. "Apelo a que não se silencie, como aconteceu no passado, estas situações de agressão doméstica (...)". "(...)E a denúncia cabe a todos: "Não olhem para o Estado, esperando que ele faça tudo", afirmou o Chefe de Estado. Até porque "as instituições desenvolvem geralmente um trabalho mais humano, mais próximo, mais eficiente nas respostas que dão aos problemas da sociedade(...)".
Permitam-me bloguistas e leitores, uma tradução livre:
"... as famílias monoparentais são um risco acrescido de pobreza para as crianças..." - O meu processo de divórcio entrou no Tribunal de Família e Menores em 2003. Fiquei divorciada em 2006, após uma primeira decisão que não encountrou motivos suficientes para um divórcio e um apelo ao Tribunal da Relação, que os encontrou, miraculosamente, onde a primeira juíza não os viu. A minha filha, de 6 anos, tem pensão de alimentos (do pai) desde há 3 meses. Eu não trabalho (para quem não sabe, sou práticamente surda, o que é incompatível com a profissão que exercia), e estou à espera que a minha pensão de alimentos seja decidida, pelo mesmo Tribunal de Família e Menores, HÁ TRÊS ANOS.
"(...) um pedido para que a violência doméstica seja denunciada. "Apelo a que não se silencie, como aconteceu no passado, estas situações de agressão doméstica (...) - Fui agredida, na minha casa, tendo de ser transportada de ambulância para o hospital, para tratamento, onde regressei no dia seguinte para tratar um dedo partido não detectado na véspera. A minha filha (com três anos) assistiu à agressão. Ficou ao cuidado de estranhos, enquanto eu recebia tratamento. Apresentei queixa no DIAP, indiquei as testemunhas e os nomes dos agressores.
O principal agressor ainda não prestou depoimento porque, apesar de se deslocar todos os dias à mesma cidade onde o deve fazer, tem residência a... cerca de 1o quilómetros. Razão invocada: não se pode deslocar.
A principal testemunha reside, há anos, a 2 metros da minha casa. Vejo-a todos os dias - mas o DIAP não a consegue encontrar.
O processo já vai em mais de dois anos. O resultado que prevejo? A prescrição...
Por tudo isto, e comtodo o respeito, senhor Presidente da República (sim, da MINHA República): Faça o favor de esclarecer a que País se referia, nestas entrevistas. Ao meu País não era, concerteza. Talvez ao País das Fadas onde tudo é perfeito e a Justiça realmente funciona? Quem sabe...




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3 Comments:
Juro que ao ler o seu post tremi de raiva. O meu pai nunca bateu na minha mãe mas maltratava-a verbalmente e sempre baixinho para que só ela ouvisse. Eles ainda não se divorciaram mas vivem como se o estivessem efectivamente. Lembro-me quando era pequena de ver a minha mãe chorar. O Presidente da República não sabe do que está a falar, os políticos não conhecem a vida real dos meros mortais oprimidos. É por isso que evito lembrar-me em que país estou a viver. Compartilho da sua indignação e quero que saiba que espero que as coisas se resolvam e que possa ultrapassar os maus momentos.
Como eu te entendo...
Um bj
«Temos que ter fé afinal somos um país de católicos»
Palavras de (sua excelência?!) Anibal Cavaco Silva.
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