sexta-feira, julho 14, 2006

No País das Fadas

Jornal de Notícias de hoje:

"CAVACO SILVA TERMINA JORNADAS EM DEFESA DA FAMÍLIA TRADICIONAL

(...) Disse que as famílias monoparentais são um risco duplicado de pobreza para as crianças, de 14% para 30%. Que, "para além da felicidade do homem e da mulher, há o filho, a filha (...)".

Diário de Notícias de hoje:

"CAVACO APELA A CUIDADOS NO DIVÓRCIO

(...) No balanço que fez a estes dois dias, passados nos distritos do Porto e de Aveiro, dedicados às crianças em risco e às mulheres maltratadas, o PR fez ainda um pedido para que a violência doméstica seja denunciada. "Apelo a que não se silencie, como aconteceu no passado, estas situações de agressão doméstica (...)". "(...)E a denúncia cabe a todos: "Não olhem para o Estado, esperando que ele faça tudo", afirmou o Chefe de Estado. Até porque "as instituições desenvolvem geralmente um trabalho mais humano, mais próximo, mais eficiente nas respostas que dão aos problemas da sociedade(...)".

Permitam-me bloguistas e leitores, uma tradução livre:

"... as famílias monoparentais são um risco acrescido de pobreza para as crianças..." - O meu processo de divórcio entrou no Tribunal de Família e Menores em 2003. Fiquei divorciada em 2006, após uma primeira decisão que não encountrou motivos suficientes para um divórcio e um apelo ao Tribunal da Relação, que os encontrou, miraculosamente, onde a primeira juíza não os viu. A minha filha, de 6 anos, tem pensão de alimentos (do pai) desde há 3 meses. Eu não trabalho (para quem não sabe, sou práticamente surda, o que é incompatível com a profissão que exercia), e estou à espera que a minha pensão de alimentos seja decidida, pelo mesmo Tribunal de Família e Menores, HÁ TRÊS ANOS.

"(...) um pedido para que a violência doméstica seja denunciada. "Apelo a que não se silencie, como aconteceu no passado, estas situações de agressão doméstica (...) - Fui agredida, na minha casa, tendo de ser transportada de ambulância para o hospital, para tratamento, onde regressei no dia seguinte para tratar um dedo partido não detectado na véspera. A minha filha (com três anos) assistiu à agressão. Ficou ao cuidado de estranhos, enquanto eu recebia tratamento. Apresentei queixa no DIAP, indiquei as testemunhas e os nomes dos agressores.

O principal agressor ainda não prestou depoimento porque, apesar de se deslocar todos os dias à mesma cidade onde o deve fazer, tem residência a... cerca de 1o quilómetros. Razão invocada: não se pode deslocar.

A principal testemunha reside, há anos, a 2 metros da minha casa. Vejo-a todos os dias - mas o DIAP não a consegue encontrar.

O processo já vai em mais de dois anos. O resultado que prevejo? A prescrição...

Por tudo isto, e comtodo o respeito, senhor Presidente da República (sim, da MINHA República): Faça o favor de esclarecer a que País se referia, nestas entrevistas. Ao meu País não era, concerteza. Talvez ao País das Fadas onde tudo é perfeito e a Justiça realmente funciona? Quem sabe...

3 Comments:

At 1:09 da manhã, Blogger Maria said...

Juro que ao ler o seu post tremi de raiva. O meu pai nunca bateu na minha mãe mas maltratava-a verbalmente e sempre baixinho para que só ela ouvisse. Eles ainda não se divorciaram mas vivem como se o estivessem efectivamente. Lembro-me quando era pequena de ver a minha mãe chorar. O Presidente da República não sabe do que está a falar, os políticos não conhecem a vida real dos meros mortais oprimidos. É por isso que evito lembrar-me em que país estou a viver. Compartilho da sua indignação e quero que saiba que espero que as coisas se resolvam e que possa ultrapassar os maus momentos.

 
At 10:44 da tarde, Blogger Cris said...

Como eu te entendo...
Um bj

 
At 11:14 da tarde, Anonymous Anónimo said...

«Temos que ter fé afinal somos um país de católicos»

Palavras de (sua excelência?!) Anibal Cavaco Silva.

 

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